05-2026
Exposição apresenta as incríveis mulheres do mar de Luciano Candisani
Um recorte do belíssimo trabalho documental do fotógrafo Luciano Candisani , “Haenyeo, Mulheres do Mar”, poderá ser visto de 30 de maio a 30 de agosto de 2026 em uma exposição na Kobbi Gallery, em São Paulo (SP). A mostra reúne imagens que documentam a rotina das lendárias mergulhadoras da Ilha de Jeju, na Coreia do Sul. O brasileiro fez duas viagens à ilha, onde viveu uma imersão profunda na cultura das “haenyeo”, mulheres que mergulham em apneia para coletar frutos do mar, preservando uma tradição iniciada há cerca de quatro séculos.

Para produzir “Haenyeo, Mulheres do Mar”, Candisani fez duas viagens à Coreia do Sul para acompanhar o dia a dia das mergulhadoras
Com idades entre 65 e 92 anos, essas mulheres desafiam diariamente as águas frias do oceano, mergulhando a até 10 metros de profundidade apenas com o ar dos pulmões. Embaixo d’água, permanecem por cerca de dois minutos em busca de polvos, peixes, conchas e algas, em uma prática que atravessa gerações e se tornou símbolo de resistência, pertencimento e sustentabilidade. Mais do que retratar o cotidiano das haenyeo, Candisani revela a força simbólica dessas mulheres, cuja tradição surgiu em meio a uma conjuntura sociopolítica que levou os homens a deixarem a ilha, fazendo com que elas assumissem o sustento das famílias por meio do mar. Hoje, a cultura das haenyeo integra a lista de patrimônios culturais intangíveis da humanidade da Unesco e é reconhecida mundialmente pelos valores universais que representa. “Essa é uma história sobre a força peculiar das mulheres e vem carregada de lições importantes sobre temas universais, como a passagem do tempo, o pertencimento e a ligação com o ambiente do qual nossa sobrevivência depende”, destaca Candisani.

O mergulho em apneia para coletar frutos do mar na Ilha é uma tradição de quatro séculos que é mantida na Ilha de Jeju
Em 2017, o trabalho do fotógrafo em Jeju inspirou o longa-metragem “Haenyeo: A Força do Mar”, dirigido por Lygia Barbosa e exibido pelo canal National Geographic. Dois anos depois, Candisani retornou à ilha para concluir o projeto e acompanhar uma das etapas mais desafiadoras da atividade das mergulhadoras: a coleta de algas Miyeok. Durante esse período, as haenyeo permanecem até cinco horas em águas com temperatura média de 15 graus, saindo do mar com mais de 120 quilos de algas, conhecidas por suas propriedades nutricionais e farmacológicas. “Passei incontáveis horas no mar ao lado de mergulhadoras como Song Keum Yeon, 75 anos, e Kim Bok-sil, 89. Elas parecem frágeis demais diante da energia das ondas e da dureza das suas tarefas, mas desempenham tudo com maestria. Percebi que a força delas não está na juventude ou nos músculos, está na sabedoria”, afirma o fotógrafo.

Mergulhadoras sul-coreanas com idades entre 65 e 92 anos foram retratadas por Candisani, que também mergulhou em apneia para fotografar
Em “Haenyeo, Mulheres do Mar”, Luciano Candisani transita entre arte e documentação ao apresentar imagens em preto e branco que ressaltam a essência da relação das mergulhadoras com o oceano. Para registrar as cenas, o fotógrafo também mergulhou em apneia, sem o uso de cilindros, conseguindo acompanhar de perto o ritmo intenso das haenyeo e capturar a emoção da experiência de maneira íntima e sensível. A exposição ter abertura prevista para o dia 30 de maio na Kobbi Gallery (Travessa Alonso, 23, Vila Madalena, São Paulo), das 11h às 17h. A entrada é gratuita e a visitação após a abertura é de segunda a sexta, das 9h30 às 18h e sábado, das 9h30 às 15h. Mais informações pelo WhatsApp (11) 98420-2061.

A primeira viagem de Candisani à Ilha de Jeju deu origem ao longa-metragem “Haenyeo: A Força do Mar”, dirigido pela cineasta Lygia Barbosa


