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05-2026

Fotógrafa intrépida faz uma imagem incrível do arco duplo da Via Láctea

Poucas pessoas têm a oportunidade de contemplar todo o esplendor do arco da Via Láctea – e menos ainda conseguem ser arco duplo (de verão e de inverno) na mesma noite. A jovem e intrépida fotógrafa Angel Fux não só viu esse fenômeno como o fotografou. Para isso, ela teve que planejar meticulosamente a viagem ao topo do Dent d’Hérens, na fronteira entre a Itália e a Suíça (um pico com pouco menos de 4.267 metros de altitude, próximo ao Matterhorn), onde passaria a noite em temperaturas próximas a -28 graus Celsius. Um arco duplo da Via Láctea só é visível para as pessoas na Terra por um curto período de tempo a cada ano, por volta do equinócio.

A foto com os dois arcos da Via Láctea de Angel Fux foi feita com a técnica do empilhamento de imagens

“Descobri o fenômeno há dois ou três anos e, desde o momento em que entendi o que era, soube que queria fotografá-lo”, diz Fux, que nasceu em Paris, França, mas foi criada na Suíça. Ela tentou pela primeira vez no ano passado, a cerca de 3 mil metros, e a imagem chamou bastante atenção. Mas para conseguir uma foto melhor, a fotógrafa precisava de um céu mais escuro, o que significava subir mais alto. O Dent d’Hérens era o ponto de vista perfeito, mas é um cume que mesmo os alpinistas mais experientes podem não alcançar. “Fotógrafos não vão lá, certamente não no inverno, certamente não à noite”, escreveu ela em seu blog. “O equipamento necessário para astrofotografia e o para alpinismo são simplesmente incompatíveis na maioria das situações”, complementa. A fotógrafa contou com a ajuda de um experiente guia de montanha, o suíço Richard Lehner. Juntos, eles bolaram um plano para conseguir um transporte de helicóptero até o topo da montanha.

Para chegar à imagem final, Fux usou 260 exposições individuais que ela juntou na pós-produção

A viagem até o topo do Dent d’Hérens foi dia 19 de março de 2026. Além de Angel e Richard, estava Arnaud, filho do guia. Na primeira metade da noite, o arco de inverno apareceu. Na segunda metade, surgiu o arco de verão. Dos dois, o arco de verão é o mais conhecido, pois contém o centro galáctico e é densamente povoado. Mas, ao analisar as imagens, ela percebeu um terceiro arco, que não pertencia à Via Láctea. “Era um leve arco oval que se estendia na direção oposta ao Sol, cruzando a imagem em um gradiente sutil, mas inconfundível”, diz ela. “Isso é chamado de Gegenschein, ou contrabrilho, que é um brilho difuso no céu noturno causado pela retrodispersão da luz solar na poeira interplanetária, diretamente oposta à posição do Sol. É extremamente tênue e raramente capturado em fotografia. Estava lá, visível até mesmo nos arquivos não processados, o que me indicou imediatamente que a imagem final conteria mais do que eu havia planejado”, acrescenta ela. Assim, o arco duplo se transformou em um incrível arco triplo.

Um terceiro arco acabou surgindo, o Gegenschein, brilho difuso no céu noturno causado pela retrodispersão da luz solar na poeira interplanetária

Angel Fux usou uma Nikon Z6 II modificada para astrofotografia com lente Nikkor Z 20 mm f/1.8 e o rastreador estelar Benro Polaris. Teve que levar um saco de dormir adequado para temperaturas de -30 graus Celsius, botas de montanhismo de três camadas com crampons acopláveis ​​e muitas roupas quentes. “Também tínhamos um sistema de cordas e arnês preparado, porque, uma vez no cume, eu precisava estar conectada o tempo todo quando estivesse fora da barraca, pois as cornijas de neve ao redor da área tornavam qualquer movimento sem corda muito perigoso”, conta.

Angels Fux, de 28 anos, com os guias Arnauld e Richard Lehner, que a levaram até o topo da montanha de helicóptero

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