07-2026
Hasselblad Masters anuncia os fotógrafos premiados de 2026
A Hasselblad anunciou os vencedores do concurso de Hasselblad Masters 2026, que premiou sete fotógrafos entre 70 finalistas, escolhidos dentre mais de 108.000 inscrições de 160 países. Os vencedores foram selecionados em sete categorias: Paisagem, Arquitetura, Retrato, Arte, Rua, Vida Selvagem e Projeto/21. Cada vencedor recebe o título de Hasselblad Master, uma câmera Hasselblad de médio formato, duas lentes XCD e um fundo criativo de € 5.000. Seus trabalhos também serão apresentados no livro comemorativo Hasselblad Masters.

Uma das imagens da série “Visões Efêmeras”, do irlandês Rohan Reilly, vencedora na categoria Paisagem
Na categoria Paisagem, o vencedor foi o irlandês Rohan Reilly com o trabalho “Visões Efêmeras”. Com raízes na disciplina de um compositor, as imagens de Rohan Reilly despojam-se da complexidade para revelar o essencial: textura, tonalidade e quietude com a técnica da longa exposição. A série premiada captura uma fileira de choupos plantados às margens do Rio Pó, na Itália, guardiões naturais contra inundações, agora imersos em águas perfeitamente calmas sob uma luz suave e difusa. O que antes era uma paisagem puramente funcional se transforma em algo surreal e onírico. Nessa cena silenciosamente deslumbrante, a visão do fotógrafo encontra sua expressão máxima: a natureza destilada em sua essência, e o tempo momentaneamente congelado.

Gêmeos fotografados pela servo-holandesa Svetlana Jovanovic, cuja série foi ganhadora na categoria Retrato.
Nascida da Sérvia, mas radicada na Holanda, Svetlana Jovanovic obteve o primeiro lugar na categoria Retrato com “Alteridade”. Com formação em psicologia, Svetlana é impulsionada por uma profunda curiosidade sobre a identidade. As imagens vencedoras fazem parte de Otherness, um projeto de longo prazo em andamento que explora a relação entre gêmeos idênticos e a tensão entre a identidade compartilhada e a presença individual. Embora os gêmeos compartilhem muito, são as pequenas diferenças que emergem com o tempo, as maneiras sutis pelas quais a personalidade de cada um se torna visível. Cada retrato é uma colaboração, moldada tanto pela relação entre os gêmeos quanto pela visão da fotógrafa, convidando os espectadores a refletir sobre como uma pessoa se define, tanto separadamente quanto por meio de outro.

Cena ao amanhecer captada pelo holandês Gosse Bouma, autor da série que venceu na categoria Rua
Na categoria Rua, o holandês Gosse Bouma foi o melhor com “Ritual Matinal”. Bouma é um fotógrafo cujo trabalho é movido por uma busca silenciosa: oferecer momentos de tranquilidade em um mundo que raramente desacelera. As imagens da série premiada foram realizadas na Holanda e têm como tema o mercado de rua, um espaço onde pessoas de todas as idades e origens se encontram, trocam algumas palavras, compartilham afeto e seguem seus caminhos. Ao capturar esses pequenos encontros sem pressa, Bouma preserva algo cada vez mais raro na vida contemporânea: um genuíno senso de união.

Uma das fotos da série premiada na categoria Vida Selvagem, vencida pelo sul-africano Alfred Minnaar
O sul-africano Alfred Minnaar foi o ganhador em Vida Selvagem com “A Floresta que Percorro”. O processo criativo de Minnaar muitas vezes começa com observação e paciência. Em vez de simplesmente documentar seus temas, ele busca compreender seu comportamento, ambiente e relação com o ecossistema circundante. Por isso, as imagens vencedoras mostram um minúsculo gobídeo vivendo entre corais e foram feitas para desafiar a percepção de escala e incentivar o espectador a olhar mais de perto. Em vez de se concentrar apenas no peixe, o fotógrafo quis usá-lo como um ponto de referência dentro de um mundo muito maior. Ao inserir o gobídeo em seu ambiente, o próprio recife se torna o sujeito, convidando o espectador a imaginar sua imensidão a partir da perspectiva de um de seus menores habitantes.

Imagem que faz parte da série realizada pelo o canadense Kevin Boyle, ganhador na categoria Arquitetura
Na categoria Arquitetura, o canadense Kevin Boyle foi o ganhador com “Dorminhoco”. Após a perda do pai, Boyle retornou para casa apenas para encontrar os lugares que outrora conhecera vazios e silenciosos, seus espaços de convivência fechados e abandonados. Por mais de dez anos, sua jornada fotográfica tem sido uma profunda homenagem à arquitetura abandonada das comunidades locais da América do Norte. A série vencedora é composta por montagens fotográficas, onde cada parte do edifício é iluminada com lanternas e mesclada na pós-produção para criar uma imagem etérea de antigos e importantes locais de encontro. Através da de Boyle, esses espaços esquecidos se transformam em símbolos vibrantes e luminosos do patrimônio comunitário e da conexão humana compartilhada.

O indonésio Yudha Kusuma Putera usou vacas para a série que foi eleita a melhor na categoria Arte
Na categoria Arte, o vencedor foi o indonésio Yudha Kusuma Putera com o trabalho “Colonialismo de resíduos”. As imagens vencedoras fazem parte de um projeto que examina como as nações desenvolvidas exportam seus resíduos para países em desenvolvimento, onde a mão de obra e os custos são menores. Essa lógica se repete em menor escala também: dentro das cidades, os aterros sanitários são construídos nos arredores, mantidos fora da vista e da mente. No aterro de Piyungan, em Yogyakarta, o lixo da cidade é separado por catadores e consumido por vacas, acumulando-se silenciosamente em uma segunda colina. Assim, Putera fotografou as costas dessas vacas empilhadas, com suas formas refletindo a paisagem de lixo ao redor. A obra não busca atribuir culpa, mas sim convidar à reflexão coletiva sobre o lixo que produzido e o futuro que construído a partir dele.

Uma das imagens subaquáticas da série do tailandês Panitbhand Paribatra, ganhadora na categoria Projeto/21.
O tailandês Panitbhand Paribatra venceu na categoria Projeto/21 com “Moradores da Noite”. Jovem fotógrafo subaquático e mergulhador, seu trabalho se fundamenta em uma dedicação silenciosa ao oceano, documentando sua vida, sua fragilidade e os ecossistemas que o sustentam. A série premiada foi capturada nas águas de Anilao, Filipinas, onde a vida marinha pelágica e larval migra das profundezas todas as noites para se alimentar sob a proteção da escuridão. Usando velocidades de obturador lentas para capturar o movimento e uma iluminação colorida cuidadosamente escolhida para revelar forma e beleza, ele ilumina um mundo raramente visto. Algumas das criaturas registradas por ele passam a vida inteira em mar aberto, tornando o ecossistema pelágico tão frágil quanto extraordinário.
Os premiados foram escolhidos pelo Grande Júri do Hasselblad Masters, composto por representantes da National Geographic, Magnum Photos, Aperture Magazine, Getty Images, Foam, Metropolitan Museum of Art e Three Shadows Photography Art Centre. A competição chamou a atenção no início de 2026 quando a Hasselblad confirmou a desclassificação de um fotógrafo finalista por incluir elementos gerados por IA, em violação das regras do concurso, e o substituiu por um novo finalista. Vale ressaltar que os finalistas foram selecionados por meio de um processo interno da Hasselblad, e não pelos membros do Grande Júri. Um representante da empresa confirmou que todas as imagens vencedoras foram “minuciosamente verificadas e os dados EXIF foram confirmados”, e que todas são fotografias autênticas. Para conhecer todas as séries fotográficas premiadas, acesse: https://www.hasselblad.com/inspiration/masters/2026/.


