05-2026
Fotojornalista de 70 anos é a vencedora da Foto do Ano do World Press Photo 2026
Depois de apresentar os premiados em todas as regiões do mundo, o concurso de fotojornalismo World Press Photo anunciou em maio o grande vencedor global de 2026, destacando o fotojornalismo impactante e comovente ao redor do planeta. Um flagrante da renomada fotógrafa americana Carol Guzy, de 70 anos, intitulada “Separados pelo ICE”, foi eleita a Foto do Ano. Ela já havia sido premiada com o primeiro lugar na região América do Norte e Central com a série documental “Prisões do ICE no Tribunal de Nova York”, feita para o jornal Miami Herald, trabalho no qual ela registra os processos judiciais relativos às ações da agência federal de polícia de imigração e alfandegária – que atua na repressão a imigrantes de acordo com diretrizes do governo de Donald Trump nos EUA.

A imagem vencedora como Foto do Ano no World Press Photo 2026 mostra filha desesperada em audiência do pai, preso pelo ICE
“O prêmio destaca a importância crucial dessa história em todo o mundo. Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também sua graça e resiliência que transcendem a adversidade, o que tem sido bastante comovente. A coragem de abrir suas vidas às câmeras permitiu contar suas histórias. E certamente esse prêmio pertence a eles, não a mim”, explica Carol Guzy. A imagem premiada “mostra a dor inconsolável de crianças que perdem os pais em um local construído para prover justiça. É um registro impactante e necessário da separação familiar após as políticas de reforma dos EUA”, afirma Joumana El Zein Khoury, diretora executiva da World Press Photo. Segundo ela, a presença da câmera naquele corredor serve como testemunha de uma política que transformou os tribunais em locais de vidas destruídas. “É um exemplo poderoso da importância do fotojornalismo independente,” diz ela.

A americana Carol Guzy já ganhou quatro vezes o Prêmio Pulitzer como fotojornalista e hoje trabalha para a agência Zuma Press
Guzy fez a foto após uma audiência no tribunal de imigração no Edifício Federal Jacob K. Javits, em Nova York, no dia 26 de agosto de 2025 – um dos poucos prédios federais dos EUA com acesso permitido a fotógrafos. Ela e outros fotojornalistas compareceram dia após dia para documentar e registrar o que estava acontecendo. A imagem em particular, uma das muitas que Guzy produziu, mostra Luis, um imigrante equatoriano que, segundo sua família, não tem antecedentes criminais e era o único provedor da família, sendo levado pelo ICE enquanto uma de suas filhas se desespera. A esposa, Cocha, e os três filhos, de 7, 13 e 15 anos, ficaram atordoados e enfrentando grande incerteza.

Corredores do no Edifício Federal Jacob K. Javits, em Nova York, em dia de audiência com imigrantes presos pelo ICE
Finalistas
Além do anúncio da vitória de Carol Guzy, o World Press Photo de 2026 também nomeou mais dois finalistas: o palestino Saber Nuraldin e o americano Victor J. Blue. Nuraldin é o auto de “Emergência humanitária em Gaza”, feita para a agência EPA Images, que mostra uma multidão de palestinos desesperados subindo e cercando em um caminhão de ajuda humanitária que estava entrando na Faixa de Gaza em 27 de julho de 2025. “Em 2025, a fome se alastrou em meio ao que uma investigação independente da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas concluiu ser um genocídio em Gaza, o qual Israel contesta. As autoridades israelenses impuseram um bloqueio total à ajuda humanitária, uma tática descrita como a instrumentalização da fome. A ONU relata que, entre o final de maio e o início de outubro de 2025, pelo menos 2.435 palestinos que buscavam alimentos foram mortos em locais de distribuição de ajuda ou nas proximidades. Apesar de um acordo de cessar-fogo em outubro, mais de 75% da população ainda enfrentava fome e desnutrição”, relata a World Press Photo.

O finalista Saber Nuraldin captou uma multidão de palestinos cercando um caminhão de ajuda humanitária em busca de comida
Já a foto de Victor J. Blue, “Os Julgamentos das Mulheres de Achi”, foi feita para a revista The New York Times Magazine e mostra dona Paulina Ixpatá Alvarado, que em 1983 foi mantida em cativeiro e agredida durante 25 dias. Blue registrou a foto em frente a um tribunal guatemalteco em maio de 2025, quando três ex-patrulheiros da defesa civil foram condenados a 40 anos de prisão por estupro e outros crimes contra a humanidade depois de uma batalha judicial que durou 14 anos. Alvarado e outras mulheres indígenas da etnia maia Achi, de Rabinal, Guatemala, viveram por décadas nas mesmas comunidades que os homens que as agrediram e aprisionaram durante a guerra civil guatemalteca. Durante esse período, milhares de maias Achi foram brutalmente assassinados, agredidos e submetidos a uma extrema violência, frequentemente sexual. Mas, em 2011, 36 mulheres sobreviventes iniciaram uma campanha judicial contra seus agressores – a foto de Blue demonstra uma resiliência poderosa e enfatiza a dignidade e a autoridade, em vez da vitimização, um momento de força e sucesso, quando tantas vezes as vítimas são representadas como impotentes.

Paulina Ixpatá Alvarado, líder de mulheres indígenas que denunciaram crimes contra seu povo na Guatemala, em foto de Victor J. Blue
O concurso anual World Press Photo eleva o fotojornalismo e destaca seu imenso poder há 71 anos. Os vencedores de 2016 foram selecionados entre 57.376 inscrições enviadas por 3.747 fotógrafos de 141 países diferentes.


