08-2026
A dor e a esperança no fotojornalismo vira exposição que convida à reflexão
O que pode ser o inferno e o paraíso para um fotojornalista? A pergunta se transformou em um projeto do artista Alfredo Jaar, chileno radicado em Lisboa, Portugal. O resultado é uma exposição imersiva de projeção de slides em cartaz no Photo Elysée, em Lausanne, Suíça. Jaar, também arquiteto e fotógrafo, batizou a mostra de Inferno & Paradiso (mais detalhes em elysee.ch), que pode ser vista até 1º de novembro de 2026. A exposição apresenta 40 imagens realizadas por 20 fotojornalistas, muitas mulheres inclusive, selecionados pelo próprio Jaar por sua capacidade de capturar a complexidade das experiências humanas na era moderna.

Trabalho da britânica Anastasia Taylor-Lind, fotojornalista que há 20 anos se dedica a reportar sobre mulheres, guerra e violência.
A convite dele, duas dezenas de fotógrafos revisitaram seus arquivos para escolher a imagem mais dolorosa que já haviam feito aquela que lhes dava mais esperança. As imagens selecionadas documentam crises e conflitos ao redor do mundo, incluindo Ucrânia, Argentina, Faixa de Gaza, Nova York, Congo e Filipinas. Ao lado de cenas de sofrimento, a exposição também destaca momentos de felicidade e resiliência, explorando o contraste entre os aspectos mais sombrios e mais esperançosos da vida.

A alemã Johanna Maria Fritz selecionou a foto de homens transferindo corpos para um caminhão refrigerado em Bucha, Ucrânia, e a paz de uma mulher relaxando o corpo na água
Em Inferno & Paradiso, os visitantes entram em uma sala escura onde as fotos são projetadas em ciclos de 20 minutos. Imagens relacionadas à esperança e à alegria são exibidas em sequência, seguidas por imagens focadas no sofrimento e nas dificuldades. A exposição questiona a ideia de que as pessoas se tornaram insensíveis ao fluxo constante de imagens que mostram sofrimento ao redor do mundo. Em vez disso, sugere que a questão mais importante é, muitas vezes, a forma como as pessoas são apresentadas nessas imagens, com os espectadores frequentemente vendo figuras anônimas em vez de indivíduos que podem compartilhar suas próprias experiências e histórias.

Cena de uma gangue armada na Guatemala e de uma pessoa carregando balões em Jalalabd, no Afeganistão, pelo olhar da premiada francesa Veronique de Viguerie
A exposição atesta a amplitude da prática artística de Jaar e sua inclinação para questionar as dinâmicas de poder e as cisões sociais e políticas provocadas pelo capitalismo e pela globalização. Ela oferece um olhar preciso e perspicaz sobre o papel da fotografia e da mídia na sociedade contemporânea – e sobre a responsabilidade daqueles que controlam esses mecanismos. Também convida os visitantes a refletirem sobre como reagem às imagens de sofrimento e esperança, e qual significado lhes atribuem.

O sul-africano Lindokuhle Sobekwa separou duas cenas de Thokoza, região metropolitana de Joanesburgo: rua após protestos relacionados aos constantes cortes de energia; e um rapaz descansando e meio a uma plantação


