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05-2026

Livro explora os mistérios que cercam uma das fotos mais icônicas do mundo

Um novo livro explora a história não contada e ainda misteriosa por trás de uma das fotografias mais icônicas do mundo. Lançado recentemente, “Lunch on a Beam: The Making of an American Photograph” (Almoço em uma Viga: A Criação de uma Fotografia Americana), de Christine Roussel, arquivista e pesquisadora do Rockefeller Center, revisita a imagem de 1932, combina pesquisa de arquivo e contexto histórico para esclarecer como ela foi criada e quem foi o autor, até hoje não comprovado oficialmente.

A autoria da imagem é atribuída a Charles Ebbets, mas os fotógrafos Thomas Kelley e William Leftwich também estiveram lá no mesmo dia

Quando o Rockefeller Center foi construído em Nova York, durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, o projeto não só produziu arranha-céus em estilo art déco como também resultou em uma das fotografias mais reconhecidas da história. A imagem, conhecida como “Almoço em uma Viga” mostra operários da construção civil almoçando sobre uma viga de aço, a cerca de 260 metros de altura, durante a construção do então RCA Buinding, hoje 30 Rockefeller Plaza.

Menos conhecida, essa é a foto em que todos comemoram o fim da produção, que era uma encomenda publicitária

A imagem tornou-se tão famosa que sua composição é instantaneamente reconhecível: uma fileira de 11 homens sentados casualmente em uma viga estreita no alto de Manhattan, com o denso horizonte de Nova York ao fundo. Mas, apesar de sua fama, há muitas perguntas por trás dela: Quem exatamente a fez? Quem eram os trabalhadores e como o momento aconteceu? É isso que o livro de Christine Roussel procura esclarecer: o que já conhecido e o que ainda falta desvendar sobre famosa fotografia – em particular a questão do autor e de como foi produzida.

O fotógrafo Charles Ebbets: uma nota manuscrita da esposa dele seria a prova da autoria da foto

Christine explica que a imagem fazia parte de um esforço publicitário coordenado do Rockefeller Center no início da década de 1930, envolvendo vários fotógrafos de imprensa que trabalhavam para agências que forneciam imagens impactantes para jornais e revistas. Os registros originais das encomendas não sobreviveram, e a imagem não pode ser atribuída conclusivamente a um único fotógrafo. Mas ela observa que naquele dia três fotógrafos estavam presentes: Charles Ebbets, Thomas Kelley e William Leftwich. No entanto, apenas a família de Ebbets afirma que ele é o autor da foto icônica, baseando-se em uma nota manuscrita de sua esposa como prova.

Pelo seu estilo arrojado, o fotógrafo Thomas Kelley também é apontado como possível autor da imagem icônica

Com base no material dos Arquivos do Rockefeller Center, o livro (publicado pela Brandeis University Press), destaca as complexas camadas por trás de uma única fotografia. O foco está nos trabalhadores que construíram a estrutura em condições perigosas e na maneira pela qual a imagem contribuiu para uma narrativa pública mais ampla sobre a cidade de Nova York e sua transformação durante aquele período. Christine reúne história da arte, da arquitetura e os aspectos sociais que envolvem a imagem, juntamente com sua própria experiência trabalhando em estreita colaboração com pessoas ligadas ao desenvolvimento do Rockefeller Center.

Uma das fotos posadas feitas no mesmo dia para fins publicitários e de divulgação do arranha-céu

O que se conclui é que ainda não há provas contundentes de que foi Charles Ebbets o autor da foto, embora seja essa a versão mais difundida seja essa. Alguns nomes dos trabalhadores que aparecem da foto foram descobertos, mas a maioria permanece anônima. É fato que a imagem foi montada e dirigida com fins publicitários, assim como outras que mostram operários sobre vigas. Eles não almoçavam sobre vigas, pois havia um espaço mais abaixo na construção para essa finalidade.

O fotógrafo William Leftwich, que também trabalhou no dia em que a foto do almoço na viga foi feita

A imagem ainda é vista em paredes de bares, salas de aula e escritórios sindicais nos Estados Unidos. Muitos trabalhadores da construção civil recriaram e ainda recriam frequentemente a cena de 94 anos – que em todo Dia do Trabalho ela é compartilhada nas redes sociais. No entanto, em vez de registrá-los no meio do seu intervalo para o almoço, o fotógrafo colocou o grupo na viga para várias tomadas. Eram fotos destinadas para um anúncio sobre o novo prédio. Outras imagens feitas no mesmo dia mostram os trabalhadores jogando futebol, segurando a bandeira americana ou fingindo dormir na viga de aço. Mas foi a foto do almoço escolhida para ser publicada no New York Herald Tribune em outubro de 1932, sete meses antes da inauguração do prédio.


Uma foto do cotidiano da obra: dois trabalhadores sobre uma viga sendo içada até o topo

É inegável a audácia dos 11 homens na famosa foto, mas até hoje suas identidades são quase inteiramente desconhecidas. Quando o jornal New York Post perguntou “Você conhece esses homens?”, em 2003, centenas de pessoas responderam à pergunta, certos de que os trabalhadores da foto eram seus parentes. Uma declaração semelhante – “Este é meu pai na extrema direita e meu tio na extrema esquerda” – foi escrita em uma cópia da foto pendurada em um pub em Galway, na Irlanda. A mensagem chamou a atenção de Sean e Eamonn Ó Cualáin, irmãos e documentaristas. Eles queriam encontrar o homem que havia escrito aquilo, saber mais sobre sua família e rastrear todos os outros homens na foto.

A capa do livro escrito por Christine Roussel, arquivista e pesquisadora do Rockefeller Center

Mas, apesar dos esforços, o filme documental Men At Lunch , de 2012, não provou muita coisa. Eles não conseguiram verificar os nomes da maioria dos trabalhadores ou a afirmação comum de que o homem no centro com um cigarro na boca é Peter Rice, um trabalhador moicano e um dos muitos indígenas americanos que construíram o horizonte de Nova York. Com a ajuda de Christine Roussel, os irmãos descobriram o nome de dois homens na foto: Joe Curtis, terceiro da direita, e Joseph Eckner, terceiro da esquerda. Mas pouco se sabe sobre eles.

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