22
10-2026

Italiano é eleito o Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano

O fotógrafo italiano Federico Veronesi foi anunciado como Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano de 2026 em concurso promovido pelo Museu de História Natural, de Londres, Inglaterra, que teve o número recorde de 65.403 inscrições de 121 países e territórios. A imagem premiada “The Aftermath” (As Consequências) mostra uma elefanta carregando um filhote morto no Vale do Rio Huab, em Damaraland, na Namíbia. É uma visão desafiadora, porém impactante, do complexo comportamento animal. Antes de capturar fazer a foto, Veronesi estava rastreando elefantes quando se deparou com um padrão incomum de marcas de arrasto na areia de um leito de rio seco. A origem ficou clara quando ele alcançou um grupo familiar: uma fêmea carregava o filhote segurando-o pela perna, presa entre a presa e tromba. Ele também venceu a categoria Comportamento de Mamíferos. Para fazer a foto, o fotógrafo italiano usou uma Nikon Z8 com uma supertele Nikkor 400 mm f/2.8. Os parâmetros foram abertura f/2.8, velocidade de 1/1.000s e ISO 72.

Já o Fotógrafo Jovem de Vida Selvagem do Ano 2026 foi Oscar Whitfield, adolescente de origem britânica nascido no Zimbábue. Na foto “Trabalho de Amor” ele registrou o árduo esforço de um besouro rola-bosta empurrando sua preciosa carga. Whitfield deitou-se no chão para enquadrar o besouro na altura dos olhos, com o sol e o calor criando uma poeira seca ao seu redor – há mais de 5 mil espécies de besouros rola-bosta no mundo, e eles desempenham um papel vital em seus ambientes, pois ao quebrar o esterco e enterrá-lo, ele impede as condições necessárias para a produção de metano, reduzindo a quantidade de emissões de gases de efeito estufa. A foto foi feita no Parque Nacional Zambezi, distrito de Hwange, no Zimbábue. Whitfield usou uma Canon EOS R6 Mark II com a telezoom Sigma 150-600 mm f/5-6.3 (f/6.3, 1/1.250s e ISO 3.200).

Outro britânico, James Lewin, e também com uma foto em P&B, foi o ganhador da categoria Animais em seu Ambiente, na qual ele flagrou um jovem elefante borrifando água ao lado de um grupo de zebras e girafas que se reuniam em um bebedouro no Parque Nacional das Colinas Chyulu, em Makueni, no Quênia. Embora não faltassem assuntos e ação ao redor, Lewin teve que lidar com a luz forte e implacável. Por isso, optou por suavizar a luz usando uma câmera convertida para infravermelho, criando uma cena onírica. Lewin usou uma Nikon Z 7II com a zoom Nikkor 28-75 mm f/2.8 (f/7.1, 1/800s e ISO 800).

Isak Pretorius, da África do Sul, foi o ganhador na categoria Comportamento de Aves com a imagem “Cenas do Pântano”. Ele conta usou uma canoa estreita e um guia para explorar Pântano de Mabamba, em Uganda, e se sentiu excepcionalmente sortudo por ver não uma, mas duas cegonhas-bico-de-sapato. As aves puxavam a vegetação, a soltavam e repetiam o processo várias vezes – é provável que seja um casal reprodutor coletando material para o ninho. Hoje, menos de 5.300 cegonhas-bico-de-sapato adultas sobrevivem em toda a sua área de distribuição e seu número está diminuindo. Pretorius usou uma Canon EOS R5 com a supertele Canon 500 mm f/4 (f/4,1 /2.500s e ISO 1.250).

Com a foto “A Grande Divisão”, o colombiano Alex Visbal foi o ganhador da categoria Panorama Geral. Nela, Visbal mostra uma imagem que faz parte de um projeto de longo prazo documentando o impacto da indústria em corpos d’água. Realizada no Grande Lago Salgado, na Baía de Stansbury, em Utah, EUA, a cor rosa à esquerda é causada por micróbios rosa brilhantes que prosperam em água extremamente salina, o que ocorre quando uma área é isolada do abastecimento de água doce. A ecologia do lago está em acentuado declínio devido ao uso industrial, desvios de fluxo e mudanças climáticas – desde que a imagem foi divulgada, o Estado de Utah colocou a área sob gestão de conservação. Visbal usou uma Canon EOS R5 Mark II com a zoom Canon 70-200mm f/2.8 (f/3.2, 1/640s e ISO 1.250).

Anton Sorokin, dos EUA, foi o vencedor da categoria Comportamento de Anfíbios e Répteis com a imagem “Pose Protetora”, feita no Condado de Contra Costa, Califórnia, EUA. Sorokin flagrou uma salamandra-da-califórnia depositando seus ovos enquanto segura a vegetação que já contém a ninhada de ovos de outra salamandra. O experiente fotógrafo nunca tinha visto essa pose antes, apesar de documentar o comportamento das salamandras todos os invernos há anos. Como o lago estava muito sujo, Anton caminhou pela margem, mergulhando cuidadosamente sua câmera e posicionando a iluminação sob a superfície para registrar essa visão notável de cuidado parental. As salamandras-da-califórnia entrelaçam as patas traseiras para proteger a ninhada, que é vulnerável à predação por outras salamandras. Elas permanecem assim até que a massa gelatinosa ao redor dos ovos inche o suficiente para não ser mais comida e se solidifique no caule. Sorokin usou uma Nikon D850 com a Nikkor olho-de-peixe 8-15 mm (f/18, 1/100s e ISO 400), caixa-estanque Nauticam e luzes estroboscópicas Seacam 60D.

Na categoria Plantas e Fungos, o vencedor foi o grego Agorastos Papatsanis com a foto “Iluminando o Cenário”, que destaca os talos amarelos brilhantes de cogumelos do gênero Crotalus clematis, que crescem em troncos em decomposição em Litochoro, Pieria, Grécia. Nas encostas do Monte Olimpo, na Grécia, Papatsanis experimentou uma iluminação ultravioleta (UV) até obter a resposta fluorescente mais forte nesses cogumelos. Embora os humanos não consigam ver a luz UV, é possível ter uma ideia de seu efeito graças ao fenômeno da fluorescência. Micologistas estão explorando esse fenômeno para distinguir espécies de fungos intimamente relacionadas pelas cores e padrões que revelam sob a luz UV. Ele usou uma Nikon D810 com a macro Laowa 15 mm f/4 (f/20, 8s, ISO 400; luz UV e empilhamento de foco de 6 imagens).

Com a imagem “Arte da Fuga” o polonês Michał Michalski foi o ganhador da categoria Arte Natural. Michalskiestava em um campo de girassóis não colhidos que havia atraído bandos mistos de pássaros, especialmente pintassilgos e tentilhões. Enquanto eles alçavam voo na região de Miłochowice, Baixa Silésia, Polônia, assustados por um gavião, o fotógrafo desfocou o movimento contra um fundo de bétulas sem folhas. Michalski ajustou uma velocidade de obturador lenta para criar a ilusão de árvores ainda envoltas em folhagem de outono. Ele usou uma Nikon D500 com a supertele Nikkor 500 mm f/5.6 (f/8, 1/30s e ISO 250).

O americano Tony Wu foi o melhor na categoria Subaquático com a imagem “Fazendo Moreias”, que oferece um vislumbre inédito do ritual de acasalamento das moreias de Abbott. Wu tem trabalhado com biólogos para preencher uma lacuna no conhecimento sobre o comportamento social dessa espécie de moreia. Guiado apenas por uma fonte de luz vermelha fraca para minimizar perturbações e usando uma lente olho-de-peixe personalizada, ele estuda esse macho desde 2024 nas visitas que ele faz às fêmeas que habitam fendas nos recifes da região de Kyushu, Japão. É provavelmente a primeira vez que o cortejo e a desova da moreia de Abbott foram documentados. Tony Wu usou uma Sony a1com lente olho-de-peixe Nikon 13 mm f/2.8 personalizada(f/11, 1/320s e ISO 500; dois flashes híbridos de retroespalhamento HF-1).

Com a forte imagem “Sinal de Alerta”, o chileno Francisco Negroni foio o vencedor da categoria Fotojornalismo. Nela, um uma puma é registradas morta, colocada numa cerca e exibida como um troféu de caça em meio à beleza agreste da Patagônia argentina. Em 2025, a província de Santa Cruz proibiu a caça de pumas, mas a perseguição ilegal continua. A predação de ovelhas é uma das principais causas do conflito entre humanos e esses belos felinos. No sul do Chile, alguns proprietários até abandonaram a criação de ovelhas em favor do turismo de observação de pumas. Negroni usou uma Canon EOS R5 com a telezoom Canon 70-200 mm f/2.8 (f/3.2, 1/640s e ISO 100). Para ver todas as imagens premiadas, acesse: www.nhm.ac.uk/wpy/gallery.

0

 likes / 0 Comments
Compartilhe: