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08-2026

Cientistas não querem IA em fotos de vida selvagem

Um alerta da comunidade científica: o uso crescente de ferramentas de edição com inteligência artificial por fotógrafos de vida selvagem em busca da imagem perfeita pode ameaçar a confiabilidade da pesquisa sobre aves, por exemplo. Segundo uma reportagem do jornal britânico The Guardian, pesquisadores estão pedindo a fotógrafos para sejam cautelosos ao usar inteligência artificial (IA) para editar imagens compartilhadas em plataformas de observação de aves e fóruns online. Os cientistas temem que as fotos aprimoradas por IA possam comprometer a credibilidade de bancos de dados de ciência cidadã amplamente utilizados, que auxiliam pesquisadores no rastreamento da distribuição de espécies e mudanças em seus habitats.

Imagem martim-pescador macho e uma fêmea gerada por IA: pássaros parecem plastificados

Em um comentário recente publicado na revista científica Nature e citado pelo The Guardian, pesquisadores alertaram que centenas de imagens falsas já foram identificadas em bancos de dados populares de registro de espécies. No entanto, afirmam que a extensão total do problema ainda não está clara, pois muitas imagens alteradas podem não ser detectadas e poderiam afetar registros coletados pelo público. O fato é que o uso crescente de ferramentas de IA generativa contribuiu para o aumento de imagens falsas e modificadas de espécies de aves raras ​​em comunidades de fotografia de vida selvagem. Enquanto alguns usuários criam imagens totalmente artificiais, outros utilizam ferramentas de IA para fazer pequenas edições, como remover galhos ou folhas que bloqueiam a visão. Essas alterações podem modificar, sem intenção, detalhes importantes da imagem.

Imagem real de um momoto-de-sobrancelha-azul realizada em El Salvador

Organizações de ciência cidadã ainda estão tentando determinar a extensão do problema. No iNaturalist, rede social onde entusiastas podem registrar observações de plantas e animais, apenas 1.400 das mais de 610 milhões de imagens da plataforma foram sinalizadas para uso por IA até então. Para muitos observadores de aves, registrar uma espécie fora de sua área de distribuição normal é o sonho de consumo. No Reino Unido, essas descobertas frequentemente viram notícia nacional: uma garça-real-ocidental, por exemplo, geralmente encontrada na África e no sul da Europa, foi avistada em uma cidade litorânea no norte do País de Gales em junho e amplamente celebrada em fóruns de observação de aves.

Garça-real-ocidental, encontrada na África e no sul da Europa, avistada no País de Gales em 2026

Ao The Guardian, Alexander Lees, ecologista da Universidade Metropolitana de Manchester, destacou o caso de um avistamento falso de um melro-de-asa-vermelha na região central do Brasil. A espécie é tipicamente encontrada na América do Norte e nunca havia sido registrada na América do Sul. A ave foi posteriormente identificada como um oriol-de-ombros-vermelhos, espécie comum no Novo Mundo, mas o fotógrafo havia solicitado a uma plataforma de IA que melhorasse a imagem. Durante o processo de edição, características de um melro-de-asa-vermelha foram adicionadas à imagem, criando um registro falso. “Minha experiência ao navegar pelo Facebook hoje em dia é que um grande volume de fotos da vida selvagem agora são simplesmente imagens geradas por IA. A ideia de que poderíamos usar essas fotos para nos ajudar a entender onde as espécies estão no espaço e no tempo está se perdendo”, diz Lees.

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