07-2026
Caira, uma câmera avançada para ser conectada ao celular
Vishal Kumar, CEO da Camera Intelligence, empresa por trás da Caira, uma câmera com sensor Micro Quatro Terços que se conecta à parte traseira do iPhone usando o MagSafe (e se conecta a ele via Wi-Fi), não quer que as pessoas confundam o produto com um mero acessório. “Essa é uma visão equivocada. Acreditamos que estamos construindo toda a tecnologia necessária para o futuro das câmeras”, comenta ele.

Depois da conexão, o usuário obtém uma pré-visualização da imagem e pode controlar a câmera usando uma interface na tela ou por comando de voz. O grande diferencial, porém, é que não se trata apenas de uma montagem de lente e um sensor Quad Bayer Four Thirds de 11 MP da Sony (como o da Panasonic GH5S). Há ainda um processador Snapdragon utilizado para alimentar o autofoco com IA e para tomar decisões sobre balanço de branco e exposição. Além disso, processa as imagens nos modos de disparo múltiplo computacional da câmera.

Embora a empresa esteja finalizando a campanha no Kickstarter para o Caira, as ambições de Kumar são muito maiores do que vender um acessório que melhora a câmera do smartphone ou mesmo câmeras dedicadas. Em última análise, segundo a Camera Intelligence, o objetivo é mudar a forma como as câmeras são fabricadas e convencer as empresas tradicionais do setor de que sua tecnologia representa o próximo passo para a fotografia.

“No momento, ela foi projetada principalmente para redução de ruído em condições de baixa luminosidade e proporcionar maior alcance dinâmico”, diz Liam Donovan, diretor de tecnologia da Camera Intelligence. Ele explica que o algoritmo presente em câmeras de produção (no qual a empresa ainda está trabalhando), captura até 17 imagens: oito antes de pressionar o obturador, uma ao pressionar o obturador e oito depois. “O algoritmo processa todas essas imagens para alinhá-las, reorganiza os quadros para que correspondam ao quadro central e, em seguida, os mescla. E uma das partes mais complexas do algoritmo é garantir que não haja defeitos”, diz ele.

O recursos de captura múltipla estão atualmente implementados como um modo de baixa luminosidade separado, mas a empresa continua trabalhando para expandir as funcionalidades. “Estamos nos empenhando muito para que seja possível alcançar uma super resolução, aumentando significativamente o arquivo das imagens produzidas”, afirma Donovan. A complexidade dos algoritmos é um dos motivos pelos quais a câmera precisa de seu próprio processador, apesar de estar integrada a um celular muito potente.

A Camera Intelligence acredita que a forma como desenvolve seu produto se assemelha mais à maneira como as câmeras do futuro deveriam ser construídas. Isso porque a empresa usa sensores de câmeras mirrorless tradicionais, mas com o processador de um smartphone. E esse processador de smartphone desbloqueia uma série de recursos. “Por isso, estamos em conversas mais aprofundadas com algumas marcas de câmeras para ver se essa proposta é bem recebida”, diz Komar.

Não se trata apenas de controle de voz com inteligência artificial, foco ou exposição, sugere ele. A empresa também quer implementar outros recursos de IA, como modelos complexos de linguagem ou geração de imagens – o aplicativo Caira atual permite editar imagens usando o modelo Nano Banana do Google, mas precisa ser executado na nuvem, em vez de localmente, e requer uma assinatura. Kumar conta que o Caira está dentro do cronograma para começar a ser enviado às 611 pessoas que apoiaram o projeto no Kickstarter. Ele também afirma que um lote de 25 unidades da linha de produção, em seu escritório em Londres, foi triplamente testado para garantir que estivesse pronto para o envio.


