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12-2016

A construção de um mundo irreal

Olhar Global   /  
  • As damas de Amsterdã
  • Belle Époque Rural
  • Lagoa dos patos
  • Loch
  • Obra Avalanche, feita em Munique, Alemanha, em 2013: fotos isoladas mescladas via programas de edição de imagens
  • Imagem baseada no Renascimento e realizada em cemitério no sul do Chile em 2012
  • Foto feita em Marken, Holanda, em 2011: pintores flamengos são fonte de inspiração para  Marcelo Tinoco
  • Obra Boreal, foto da série 1900 feita em Copenhague, Dinamarca, em 2014
  • Diorama, obra da série Histórias Naturais, clicada no Rio de Janeiro em 2013
  • Gente ao estilo medieval: foto da série Timeless; batizada de Invasão Germânica, feita no Lago Ness, na Escócia, em 2010
  • Obra Beco da Vila Madalena, registrada em local conhecido do bairro boêmio de São Paulo
  • Obra Rush em Bruges, que mostra movimentação de bicicletas na pacata cidade belga

Por Gabrielle Winandy

Pictórico, atemporal, fantástico… Esses são alguns dos adjetivos que definem o trabalho do paulistano Marcelo Tinoco, de 47 anos. Formado em Artes Plásticas em 1993, ele não resistiu muito tempo antes de assumir a fotografia como modo de vida, em 1995. Trabalhou 15 anos com publicidade antes de começar as séries fotográficas que agora são sua fonte de renda. São várias: Histórias Naturais, Dioramas Brasileiros, Timeless, Hiper!, 1900 e Fotorama. Todas com essa aura etérea, irreal, inspiradas no mundo da arte. Uma de suas referências são os pintores flamengos (da Holanda e do norte da Bélgica).

Mas outros tipos de arte o inspiram também. Para a série Dioramas Brasileiros, usou como base referencial os impressionistas e a ideia de construção de imagem de um diorama (imagem 3D hiper-realista, como as vistas em museus de história natural, por exemplo). Para isso, ele fotografa cada aspecto da imagem individualmente: cenário, uma pessoa, outra pessoa, uma árvore… Depois junta tudo para criar uma nova composição, que não existe na realidade. “Construo as imagens como se fossem dioramas”, explica Marcelo.

O fotógrafo nunca contrata atores. Para achar pessoas caracterizadas – como as que estão com uma roupa de estilo medieval na série Timeless –, vai a cidades perdidas no tempo, como Veneza (Itália), a museus folclóricos ou a qualquer lugar em que haja pessoas vestidas da forma que imaginou para a composição. “Uso as pessoas que estão lá, na cena, e as registro sem que elas percebam”, informa. É essencial, no entanto, que todas as pessoas e objetos que aparecem na cena estejam sempre sob a mesma luz ou sob uma muito semelhante, porque senão há dificuldades para formar a composição. Elas também não podem ter estouro de luz ou ruído.

Equipamento

Para facilitar ao máximo o seu trabalho, ele faz as fotos em RAW com uma DSLR Nikon ou uma médio formato Hasselblad (em São Paulo usa somente a Nikon, por motivos de segurança). A lente é sempre zoom. A que tem mais usado ultimamente é a Nikkor 28-300 mm f/3.5-5.6, embora tenha sempre consigo uma 24-120 mm f/4. É importante usar uma zoom porque, como fotografa as coisas separadamente, precisa ter alcance para capturar qualquer aspecto que lhe interesse. “Pego muito detalhe e faço macro. E ao mesmo tempo fotografo as pessoas de longe, de forma discreta”, conta ele. “Sou alguém invisível na hora de fotografar”, completa.

A escolha do tema vem geralmente de uma ideia básica que tem ao observar a vida cotidiana. “Vou atrás daquela ideia simples e vejo no que dá”, explica. Desde 2010 ele vive com a venda das fotos do trabalho autoral e com editais – em 2013 ele ganhou o Prêmio Marc Ferrez, que concede R$ 53 mil aos premiados. A ideia é continuar investindo nessa mistura de pictoricidade com fotografia até quando decidir que é suficiente. Para conhecer mais fotos do trabalho dele, acesse www.marcelotinoco.com.br.

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