02-2026
Obra do mestre Cristiano Mascaro pode ser vista em mostra na Unibes Cultural
Para quem não conhece a fundo a obra do mestre Cristiano Mascaro, uma oportunidade ímpar: em cartaz na Unibes Cultural, em São Paulo (SP) até 22 de março de 2026, a exposição Recortes por Cristiano Mascaro reúne um conjunto de imagens que percorrem diferentes momentos da trajetória deste que é um dos nomes de destaque na fotografia brasileira. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, Mascaro voltou-se para a fotografia ainda durante a graduação, após o contato com a obra de do francês Henri Cartier-Bresson. Hoje, aos 81 anos, com uma carreira consolidada no Brasil e no exterior, ele mantém uma produção contínua voltada à observação da capital paulista, de seus espaços arquitetônicos, seus habitantes e de suas transformações ao longo do tempo.

Uma visão sob o Elevado Presidente João Goulart, popular Minhocão, obra viária polêmica em São Paulo
As imagens selecionadas para a exposição exibem locais emblemáticos da paisagem paulistana, como a Avenida São João, o Elevado Presidente João Goulart (Minhocão), o Viaduto Eusébio Stevaux e a Maternidade Filomena Matarazzo. Em algumas fotos, esses espaços aparecem em vistas amplas, evidenciando a escala urbana e a organização arquitetônica; em outras, surgem fragmentados, em recortes de fachadas, estruturas, sombras e geometrias. Essa alternância entre o panorama e o detalhe é uma característica central da obra de Mascaro. Seu trabalho articula rigor formal, atenção à arquitetura e observação do cotidiano, construindo uma leitura da cidade que privilegia a permanência dos espaços e suas marcas no tempo.

O grafismo de linhas retas e curvas no interior da Maternidade Filomena Matarazzo, na Bela Vista, inaugurada em 1943 e fechada em 1993
Recortes por Cristiano Mascaro tem curadoria de Luiz Armando Bagolin e Flávio Cohn e estabelece um diálogo entre diferentes fases da produção do fotógrafo, evidenciando como seu olhar tem acompanhado tanto as transformações de São Paulo quanto as mudanças de tecnologia. A seleção propõe uma reflexão sobre a cidade como território histórico, arquitetônico e simbólico, continuamente reinterpretado por Mascaro, que, apesar da formação em arquitetura, iniciou sua carreira como repórter fotográfico da revista Veja, na qual realizou diversas reportagens no Brasil e no exterior. Também foi professor de Fotojornalismo na Enfoco, escola de fotografia, e de Comunicação Visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos (SP). Entre 1974 e 1988, dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU/USP. Em 1986, obteve o grau de mestre pela USP e, em 1990, recebeu a Bolsa Vitae de Artes.

A obra Homem da Gravata: retrato de um paulistano anônimo realizado no zona central da capital paulista
Em 1992, Mascaro recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo com o ensaio O jeito brasileiro de viver e morar e, em 1999, com o ensaio Sala dos milagres. Em 1995, obteve o grau de doutor pela USP, com nota máxima e menção de louvor, apresentando a tese A fotografia e a arquitetura. Em 2006, participou, como arquiteto homenageado, da 6º Bienal de Arquitetura e Design, apresentando a exposição O Brasil em X, em Y, em Z. Em 2007, recebeu o Prêmio Especial de Fotografia Porto Seguro pelo conjunto de sua obra. Em 2015, foi laureado pela Associação Paulista de Críticos de Arte por seus trabalhos de documentação urbana. Atualmente, Cristiano Mascaro atua como fotógrafo independente, dedicando-se a projetos pessoais.

Aos 81 anos, Cristiano Mascaro continua atuante como fotógrafo independente voltado a projetos pessoais
Serviço: A exposição Recortes por Cristiano Mascaro fica aberta até 22 de março de 2026, com entrada gratuita, com visitação de quarta a sábado, das 12h às 20h (última entrada às 19h), e domingo, das 10h às 19h (última entrada às 18h), no Unibes Cultural, Rua Oscar Freire, 2500, ao lado da Estação Sumaré do metrô (Linha 2 – Verde).


