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08-2026

Mulheres dominam a premiação do European Photography Awards

O European Photography Awards 2026 recebeu cerca de 3.000 inscrições de fotógrafos representando 40 países. Duas mulheres se destacaram: a canadense Michelle Valberg e a alemã Thea Mihu ficaram como o prêmio mais importantes de Fotógrafa do Ano – Michelle na categoria Profissional e e Thea na categoria Entusiastas. A canadense venceu o concorrentes com uma foto incrível de uma baleia jubarte que emergia à superfície com a boca escancarada enquanto uma gaivota parece querer capturar algo na mandíbula do enorme mamífero aquático – a imagem foi registrada na região costeira da Colúmbia Britânica, no Canadá. A foto valeu um prêmio em dinheiro de US$ 3 mil e a estatueta máxima do European Photography Awards.

Thea Mihu foi até as salinas de Hon Khoi, no Vietnã, para documentar um lugar onde gerações de trabalhadores colhem o sal manualmente, utilizando apenas água do mar, luz solar e vento. A fotógrafa alemã, autora da série “A colheita branca”, sobre essa prática secular, foi premiada com uma imagem que enfatiza a imensidão da paisagem em contraste com as poucas pessoas que nela atuam, transformando as salinas em um retrato do trabalho e, ao mesmo tempo, em um estudo da relação entre as pessoas e seu meio ambiente.

As duas fotógrafas foram escolhidas como as melhores do ano concorrendo com vencedores de nove categorias entre profissionais e entusiastas, como Arquitetura, Editorial, Fine Art, Pessoas, Natureza e Vida Selvagem, outras. Em Natureza e Vida Selvagem, por exemplo, Michelle Valberg aparece novamente entre os vencedores profissionais com a foto “Em pé”. Ela mostra uma fileira de pinguins-rei alinhada ombro a ombro, enfrentando o vento, na costa da ilha Geórgia do Sul, próximas à Malvinas, no extremo sul do continente americano – uma composição que se baseia na repetição e no contraste.

Entre os profissionais, outra fotógrafa se destacou na categoria Fine Art/Retrato: a chinesa Eva Wang foi a melhor com uma imagem sombria e perturbadora que ela chamou de “Buraco Negro”. Segundo ela, a obra utiliza a linguagem da atração gravitacional como metáfora para o desejo, a obsessão e a entrega. “Você é como um buraco negro irresistível para mim. Estou absorvido e dominado. Perdi meu livre-arbítrio”, diz o texto que acompanha a foto.

Em Arquitetura/Drone, o britânico Derry Ainsworth obteve o primeiro lugar ao trabalhar com a densidade habitacional Hong Kong. Vista do chão, a cidade parece incrivelmente cheia de gente, mas o fotógrafo transforma essa densidade em algo abstrato em “Hong Kong Vista de Cima”, série vencedora na categoria. A formação de Ainsworth em Design Arquitetônico influenciou a obra, que explora a tensão entre a imensidão da construção humana e as formas orgânicas como a vida encontra seu lugar dentro dela. O que pode parecer caótico ao nível da rua torna-se muita vezes gráfico quando visto de cima.

Já o belga Lucas Dragone ganhou na categoria Editorial ao documentar a vida em uma cidade chinesa em transição: em Wuhan, a demolição está transformando bairros inteiros. O projeto “Resiliência Silenciosa” examina o que resta nos espaços entre o que já desapareceu e o que ainda é habitado. A série acompanha bairros destinados à demolição, onde paredes em ruínas e entulho convivem com o ritmo cotidiano da vida. Prédios são demolidos, torres são erguidas, mas as pessoas continuam a habitar esses espaços de transição.

O italiano Roberto Pazzi, que documenta culturas em risco de desaparecimento mundo afora, foi o vencedor da categoria Pessoas/Cultura. A série “Mundos em Desaparecimento”, foca em comunidades cujas tradições e modos de vida estão se tornando cada vez mais difíceis de preservar. O projeto do italiano percorre lugares remotos e momentos íntimos, documentando rituais, conhecimentos ancestrais e memórias coletivas afetadas pela globalização e pelas mudanças tecnológicas.

Entre os entusiastas, o espanhol Felipe Martín-Serrano Ortiz foi o vencedor em Arquitetura com a foto “A árvore urbana”, que mostra o edifício L’Arbre Blanc, projetada pelo japonês Sou Fujimoto, em Montpellier, França. Vistas de baixo, as enormes varandas em balanço se estendem como galhos, criando a impressão de uma árvore artificial contra um céu azul profundo. Ciclistas passando dão uma noção de escala, ancorando a arquitetura incomum no cotidiano da cidade. A fotografia encontra algo quase orgânico em um edifício definido por concreto, geometria e engenharia.

O alemão Philipp Schmieja foi o vencedor na categoria Editorial com o trabalho “Sobreviver para o legado”. Ele foca o povo da etnia Nuba, que continua a preservar as tradições apesar de décadas de conflito, deslocamento e pressão externa em função de guerras civis no Sudão do Sul. Entre as tradições estão a luta livre e a luta com bastões, uma prática ancestral que evoluiu do treinamento marcial para um evento cultural celebrado, o Big Sura, em que as aldeias fortalecem o senso de comunidade, principalmente durante as épocas de colheita e festividades.

A portuguesa Andreia Costa venceu na categoria Natureza para entusiastas com a foto “Veias de Fogo”, que mostra uma erupção do Vulcão Fuego, na Guatemala. Por alguns segundos, o vulcão liberou lava à noite, transformando a escuridão em uma paisagem de calor, luz e movimento. A imagem captura essa breve transformação, quando as forças geológicas se tornam visíveis contra o céu noturno – para conhecer todas as imagens premiadas, acesse: www.europeanphotoawards.com/winner.php.

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