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09-2016

Inspirado em Jackson Pollock

  • Fotógrafo pinta modelos de preto e depois respinga tinta branca sobre elas para conseguir o efeito
  • Para chegar ao resultado final, além de pintar as modelos, ele ilumina o ambiente com uma luz verde
  • O fotógrafo usou filme e câmera analógica para esse trabalho
  • Marcos Rogger batizou o conceito de seu trabalho de “fotoplástico”, pois mistura artes plásticas com fotografia
  • A série em P&B ganhou o nome de Sentidos
  • A série em Cor foi batizada de Brasis e é uma homenagem aos índios
  • A série em cor foi feita como uma câmera digital

O fotógrafo Marcos Rogger, leitor de Fotografe, morava sozinho no sótão de uma casa onde viviam garotas de programa, em Salvador (BA). Um dia, uma das meninas foi visitá-lo. Parada em um canto do cômodo, Marcos percebeu que as luzes que entravam pelos furos do teto de zinco faziam um interessante desenho sobre o corpo da moça. Dessa imagem surgiu a ideia para o seu primeiro ensaio fotográfico, Sentidos, com fotos preto e branco feitas com modelos cobertas de tintas.

Nascido em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, Marcos mudou-se para Salvador ainda criança. No fim da década de 1980, interessou-se pela dança e tornou-se bailarino. Um apreciador das artes, interessava-se também por pintura e fotografia. Com os primeiros trocados que conseguiu juntar como professor de dança e fazendo bicos de manutenção de algumas casas, Marcos adquiriu uma Minolta 35 mm. Foi com ela que fez seus primeiros experimentos fotográficos nos anos 1990.

Silhuetas em P&B

Com um amigo laboratorista, Marcos aprendeu técnicas de revelação e de fotografia, que aperfeiçoou depois em um curso básico. Em busca da imagem que o impactara da mulher salpicada de raios de luz, Marcos veio para São Paulo fazer um curso de revelação de filmes na Kodak com duração de seis meses. “Queria fazer uma imagem completamente em P&B, sem nuances de cinza, com um fundo preto chapado e a silhueta desenhada com riscos brancos”, sonhava. Marcos tinha feito vários testes colocando uma lanterna em cima do teto furado para projetar luz artificial dentro do quarto em cima da modelo, mas todos foram frustrados.

No curso de revelação, aprendeu que a melhor maneira de conseguir imprimir aquele efeito que almejava era pintar o corpo da modelo de preto, fazer os respingos com tinta branca – com uma técnica parecida com a do pintor americano Jackson Pollock, que despejava tinta em uma grande tela com o auxílio de um pincel – e iluminar o espaço com luz verde. De volta a Salvador, colocou a técnica em prática.

Chamou uma modelo, pintou-a de preto, depois pediu para que ela ficasse de cócoras e despejou com cuidado tinta branca sobre ela, que ao se movimentar criava novos desenhos. Depois, Marcos clicou as poses com uma Hasselblad e uma Nikon, ambas analógicas. Assim que mandou revelar os filmes, viu que tinha conseguido o efeito que queria e o batizou de “fotoplástico”, uma mistura dos conceitos de artes plásticas e fotografia.

Do P&B para as cores

Quando o trabalho começou a ganhar notoriedade, as pessoas perguntavam porque Marcos não fazia imagens em cores. O fotógrafo, então, pesquisou a respeito e, em 2005, iniciou a série Brasis, uma homenagem aos seus ancestrais índios. “Para essas imagens, pintei o corpo das modelos para fazer uma transição suave entre as cores”, conta.

Mesmo preferindo fotografar com equipamento analógico, Marcos já se rendeu ao digital e usou uma Nikon da série D com a lente 18-55 mm. Seu trabalho já foi visto em cerca de 15 países, e em busca de mais espaço o profissional mudou-se para o Rio de Janeiro.

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