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10-2016

De volta para o passado

  • As modelos amadoras posam para as fotos de Daniel Gonçalves em sala de um clube tradicional de Jaú
  • O GM Bel Air, de 1954, Daniel Gonçalves emprestou de um amigo que aluga o carro para casamentos
  • A própria mulher de Daniel Gonçalves (à esq.) e uma amiga do casal, escolhida pelo estilo pin-up que tinha, posaram para o ensaio
  • Daniel Gonçalves diz que prefere trabalhar com modelos não profissionais para aperfeiçoar suas habilidades na direção de pessoas ensaios
  • A primeira locação para fazer as fotos externas foi a estrada para Vila Ribeiro, em Jaú, interior de São Paulo
  • O fotógrafo pesquisou roupas e cenários por quatro meses e contou com a ajuda de uma maquiadora na produção das modelos

Apaixonado por tudo que é vintage, o fotógrafo Daniel Gonçalves planejava fazer um ensaio com um tratamento inspirado nos videoclipes da cantora Lana Del Rey, que têm esse ar sixty. Mas não imaginava que a produção de época daria tanto trabalho. Com tempo dividido entre seu estúdio de fotografia publicitária e as aulas de Fotografia no Senac de Jaú, no interior de São Paulo, sobravam apenas os fins de semana para pesquisar. “Em todo lugar que ia, procurava algum espaço que pudesse servir de locação e possíveis fornecedores”, explica.

Foram quatro meses pesquisando cenários, roupas e acessórios que remetessem aos anos de 1960. O GM Bel Air, de 1954, foi emprestado de um amigo que aluga o veículo para casamentos. As locações escolhidas foram uma estrada de terra que dá acesso à Vila Ribeiro, em Jaú, e o clube da cidade, que tinham esse ar mais retrô que Daniel procurava. As modelos foram a própria mulher do fotógrafo e uma amiga deles, cujo estilo achou interessante, pois ela tinha um quê de pin-up por conta do cabelo vermelho e das tatuagens. “Prefiro fotografar mulheres comuns a modelos profissionais. Também busco me superar como diretor de modelos amadoras”, conta. As roupas e os acessórios Daniel não teve dificuldade de encontrar, uma vez que há uma infinidade de lojas especializadas no estilo retrô. Com tudo alinhado, o fotógrafo marcou o dia da sessão.

De volta ao passado

Modelos, maquiador, fotógrafo e assistentes chegaram cedo na locação para se prepararem para o ensaio feito com uma Canon EOS D70; três lentes: 50 mm, 100 mm e 75-300 mm; um flash portátil com sombrinha; e um rebatedor. Ao longo do dia, foram feitas 400 fotos entre a sessão na estrada rural, pela manhã, e a no clube da cidade, à tarde. Para escolher quais entrariam no ensaio, o fotógrafo pré-selecionou 100 e as postou no Facebook. As 20 imagens com mais repercussão foram as eleitas pelo fotógrafo para compor o ensaio, que depois receberia o tratamento final.

Daniel é um entusiasta da lomografia (às vezes, até fotografa com uma Lomo que tem) e pensou em dar um tratamento parecido ao ensaio. Mas não ficou satisfeito. Tentou também o preto e branco até chegar no tom próximo à cor sépia, mas com destaque nos elementos vermelhos das imagens. Para conseguir o resultado esperado, o fotógrafo usou um preset já existente no Lightroom e fez algumas modificações nas definições.

Interesse pela câmera

Aos 18 anos de idade, começou a usar a Olympus semiautomática dos pais. Mas o interesse em se tornar fotógrafo só veio quando um amigo lhe mostrou uma Zenith manual. O adolescente ficou encantado também com o processo de revelação dos negativos no laboratório portátil do mesmo amigo. Fazendo alguns trabalhos para conseguir levantar dinheiro, conseguiu comprar uma Pentax K-100 e um laboratório, montado em um quarto vazio de casa.

Em seguida começou a participar do Foto Clube de Jaú, a se inscrever em editais e a fazer fotos de eventos sociais, como casamento e festas de criança. O interesse pela imagem era evidente, mas havia uma pressão para que o jovem fizesse uma faculdade. Optou, então, pelo curso de Publicidade e Propaganda e acabou unindo as duas profissões ao criar um estúdio de fotografia publicitária. Depois, também passou a dar aulas de fotografia no Senac de Jaú.

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