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10-2016

Dança com lobos

  • A fotógrafa carioca Emi Parente e a loba Marion, que veio cheirá-la
  • Emi Parente fotografou lobos-cinzentos que vivem no Wolf Park, uma reserva ambiental que estuda o comportamento da espécie
  • Dez anos antes de fazer o ensaio, Emi Parente fez estágio de veterinária no Wolf Park durante três meses
  • Devido à luz forte refletida na neve em dias de sol, os dias nublados são os melhores para fotografar, segundo Emi Parente
  • Uma tele de 200 mm foi suficiente para ela conseguir bons flagrantes dos lobos-cinzentos
  • Além de lobos-cinzentos, coiotes e raposas (como esta) também vivem no parque de Indiana

Assim que a carioca Emi Parente chegou ao Wolf Park, em Indiana, nos Estados Unidos, tratou logo de reencontrar uma velha amiga. Marrion a olhou, aproximou-se do rosto da fotógrafa, cheirou-a e lhe deu uma lambida. A recepção afetuosa da loba-cinzenta de 16 anos foi a autorização para que Emi pudesse entrar no parque, em que são realizados estudos e pesquisa sobre o comportamento de lobos, coiotes e raposas, e realizar o ensaio fotográfico com os animais.

Cerca de dez anos antes, Emi fez um estágio no parque como veterinária, sua primeira formação. Apaixonada por animais silvestres, a profissional queria se especializar na área. Mas depois de um tempo trabalhando “presa” em uma clínica, percebeu que, assim como os animais pelos quais era apaixonada, não podia atuar isolada entre quatro paredes. E resolveu soltar os seus instintos e a criatividade encubada transformando em profissão o seu hobby favorito: a fotografia.

Em 2009, começou um curso profissionalizante de dois anos na Universidade Estácio de Sá e, em seguida, seguiu para os Estados Unidos para estudar fotografia na New York Film Academy. Aproveitando o intervalo de uma semana que teria nos estudos, resolveu ir até Indiana, cerca de 1.200 quilômetros de Nova York, para fazer um ensaio com lobos-cinzentos no parque onde tinha feito estágio. Só não contava que naquela época o país enfrentaria sua maior nevasca e, por isso, todos os voos tinham sido cancelados. Resolveu encarar, então, 12 horas de ônibus.

Fotografia e lobos

Como Emi é veterinária e tinha feito estágio no parque, não foi difícil conseguir a autorização para fazer as fotos, desde que, claro, estivesse acompanhada por alguém do centro de pesquisa. A primeira visita no parque foi ao lado da velha companheira Marrion. Nos demais dias, ela teve acesso aos outros animais. “O fato de eu ter estudado o comportamento dos lobos me ajudou a registrar bons momentos. Sabia como deveria me comportar e em qual momento eles iriam reagir e como”, conta ela.

Embora não tivesse dificuldades com os animais, Emi apanhou para acertar a exposição para fazer os cliques. Os dias estavam lindos e com sol, o que para muitos fotógrafos é uma excelente condição, mas, quando se está em um ambiente em que a luz é muito refletida, isso pode se tornar um problema. “A neve reflete a luz de forma intensa, e o fotômetro sempre me dava a medição errada. Fui variando a abertura e a velocidade até conseguir a exposição correta”, lembra.

O melhor dia para fotografar foi quando nevou, segundo ela. O céu estava nublado, o que ajudou a difundir a luz, e os flocos de neve provocaram um atraente efeito nas imagens. Para proteger a Canon EOS 5D Mark III, as duas lentes 24-70 mm e 70-200 mm e um teleconverter, Emi cobriu o equipamento com uma capa de chuva.

A fotógrafa, que ganha a vida fotografando shows e fazendo retratos – sempre ao ar livre porque tem pavor de ficar presa em um estúdio –, pretende agora fazer um ensaio com lobos-guará. “Fotografar os animais é o meu projeto de vida. E sempre terei uma boa ideia para pôr em prática dentro dessa área”, comenta.

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