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12-2016

O foco merece toda a sua atenção

Dicas Técnicas   /  
O tema da foto deve ser destacado por meio de um foco perfeito que chame a atenção do observador

O tema da foto deve ser destacado por meio de um foco perfeito que chame a atenção do observador

Por Diego Meneghetti

O foco é um dos ajustes mais importantes durante o registro de fotos e vídeos. Ele permite que o assunto principal tenha destaque, ao mesmo tempo que guia o olhar do observador entre os elementos na imagem, aprimorando a percepção visual. Embora a profundidade de campo permita certa margem de erro, a focalização merece muita atenção, principalmente quando se usa o sistema de foco automático.

As câmeras digitais oferecem várias formas de se realizar esse ajuste. O mais preciso deles continua sendo o modo manual, feito por meio do anel na objetiva, pois o fotógrafo consegue determinar com exatidão em que plano estará o foco. Cenas pouco iluminadas, com muitos elementos à frente do assunto principal, ou que serão feitas com profundidade de campo muito curta são algumas situações em que o modo manual pode ser eficaz.

Por outro lado, usar o foco manual nas DSLRs e mirrorless mais recentes é um tanto trabalhoso, já que a maioria delas é otimizada para o sistema de foco automático. O curso do anel de foco nas objetivas, por exemplo, geralmente é curto e há poucos auxílios no visor da câmera para identificar o plano em foco, como existe nas reflex antigas sem o recurso automático. Em contrapartida, os fabricantes oferecem sofisticados sistemas de autofoco, que trazem mais agilidade para o registro quando se fotografa pelo visor.

A câmera usa um conjunto de pontos de autofoco (AF) distribuídos na parte central do visor e todos podem atuar juntos ou em separado

A câmera usa um conjunto de pontos de autofoco (AF) distribuídos na parte central do visor e todos podem atuar juntos ou em separado

O sistema de autofoco é ativado ao pressionar o botão disparador pela metade. Nesse momento, a câmera usa um conjunto de pontos de autofoco (AF) distribuídos na parte central do enquadramento para determinar onde estará o foco. Assim, a foto somente é feita após a câmera ajustar a objetiva para focar em algum objeto (no modo manual é possível fotografar com a imagem toda fora de foco).

Com todos os pontos AF ativos e sem qualquer direcionamento, o autofoco da câmera dá prioridade para o elemento do primeiro plano (ou seja, aquele que estiver mais próximo da câmera), o que nem sempre é a intenção do fotógrafo. Para contornar essa limitação, basta ativar só o ponto AF que coincida com o objeto que se deseja focar ou selecionar apenas o ponto AF central, travar o foco no objeto e refazer o enquadramento da foto (veja o passo a passo).

Modos de autofoco

Geralmente, as DSLRs oferecem três modos de autofoco, úteis para diferentes situações de cena. No modo simples, denominado One-Shot AF, nas câmeras da Canon, e AF-S Single-servo, nas da Nikon, o foco é ajustado e travado a cada disparo. Esse modo é o mais usado por atender a diversas situações e o ideal para assuntos estáticos, como retratos ou paisagens. Com o botão disparador pressionado, depois que algum ponto AF identificar o objeto, o foco fica travado naquela distância até a câmera registrar a foto. Se for necessário mudar a distância focal da objetiva ou a distância entre o assunto e a câmera, será preciso refazer o foco.

Ao registrar cenas de ação, como as esportivas, ajuste a câmera no modo de foco contínuo, que acompanha a movimentação do tema

Ao registrar cenas de ação, como as esportivas, ajuste a câmera no modo de foco contínuo, que acompanha a movimentação do tema

Para assuntos em movimento, como esportes ou cenas de ação, as DSLRs funcionam melhor no modo de autofoco contínuo, chamado de AI Servo AF, na Canon, ou AF-C Continuous-servo, na Nikon. Nesse modo, ao manter o disparador pressionado pela metade, o sistema acompanha o movimento do assunto focalizado. O autofoco segue esse caminho mesmo após o obturador disparar. Contudo, essa opção consome mais bateria e pode não ser muito preciso em cenas com movimentação muito rápida ou caótica.

Por fim, o autofoco inteligente, denominado AI Focus AF, na Canon, ou AF-A Auto-servo, na Nikon, serve para fotografar assuntos mistos, com cenas estáticas ou em ação, como em eventos sociais, festas ou casamentos. Ajustada nele, a câmera analisa a movimentação da cena e determina como o autofoco irá funcionar, no modo simples ou no contínuo.

O autofoco inteligente deve ser usado em cenas que mesclem momentos com e sem movimento, como uma cerimônia de casamento

O autofoco inteligente deve ser usado em cenas que mesclem momentos com e sem movimento, como uma cerimônia de casamento

Em cada modo de autofoco é possível escolher quantos pontos AF estarão ativos. Quanto maior for o número, mais rápida será a detecção de foco em algum objeto. Contudo, ativar muitos pontos AF implica deixar a câmera determinar em qual objeto será feito o foco. Muitas vezes é melhor ativar apenas um ponto AF, o central, travar o foco e refazer o enquadramento.

O modo manual de foco deve ser usado em cenas com pouca luz ou com reflexos, situações em que o autofoco pode se confundir

O modo manual de foco deve ser usado em cenas com pouca luz ou com reflexos, situações em que o autofoco pode se confundir

Por fase ou contraste

As DSLRs são equipadas com dois sistemas de autofoco, que funcionam por diferença de fase ou de contraste. Quando se fotografa pelo visor, a imagem projetada é separada em duas e direcionada a um sensor dedicado ao foco, situado no interior da caixa de espelhos. Essa sobreposição das imagens permite avaliar se o assunto está na frente, atrás ou cravado no ponto de foco ativo. Com a medição dessas distâncias, a câmera regula a objetiva para uma focalização precisa.

Por outro lado, ao se fotografar pelo monitor, no modo de imagem ao vivo, as DSLRs medem a diferença de contraste da cena e geralmente usam uma área central da imagem, em vez dos pontos AF, para essa aferição. O sistema costuma ser mais lento e tem dificuldade para operar em cenas com pouca iluminação ou sem muita textura, como uma parede lisa.

Em câmeras DSLR, a imagem projetada é separada em duas é direcionada a um sensor dedicado ao foco

Em câmeras DSLR, a imagem projetada é separada em duas é direcionada a um sensor dedicado ao foco

Modelos SLT da Sony usam um sistema exclusivo de espelho translúcido, que aprimora a velocidade do autofoco no modo de imagem ao vivo. Já câmeras recentes da Canon prometem uma melhora significativa no foco automático em modo de imagem ao vivo por usar um avançado sistema de fotodiodos no sensor.

Foco e nitidez

Algumas vezes, mesmo que o fotógrafo tenha focalizado corretamente em um objeto, é possível que a imagem não fique com perfeita nitidez. Posições de diafragma muito aberto ou fechado geram fotos com menor nitidez. Na maioria das objetivas, a abertura mais nítida é cerca de 2 ou 3 pontos abaixo da posição mais clara disponível.

Na prática, aberturas entre f/4 a f/8 geram fotos mais nítidas. Além disso, devido à maneira que o sensor da maioria das câmeras digitais trabalha (com filtro low-pass, que minimiza o moiré), um pouco da nitidez total é perdida durante o registro. Um terceiro fator possível de baixa nitidez é a falta de calibragem entre a lente e o corpo da câmera. Nesse caso, procure no manual da câmera como fazer essa calibragem.

De maneira geral, as aberturas f/4, f/5.6 e f/8 são as que geram as fotos mais nítidas

De maneira geral, as aberturas f/4, f/5.6 e f/8 são as que geram as fotos mais nítidas

Muitas DSLRs oferecem um ajuste de dioptria que regula a nitidez da imagem exibida no visor. O recurso é útil para quem usa óculos e quer fotografar sem eles. Esse ajuste não tem qualquer interferência no registro da foto, mas se não estiver de acordo com a visão do fotógrafo, a imagem do visor pode parecer que está sem nitidez.

Uso da trava de autofoco

Veja como ajustar sua DSLR para autofoco simples e fotografar assuntos que não estejam no centro do quadro:

1) Habilite o autofoco. Em uma câmera da Canon, procure a chave AF–MF na objetiva e deixe-a na posição AF. Em algumas câmeras da Nikon o mesmo ajuste da lente deve ser feito no corpo, escolhendo a posição automática nas chaves AF–M.

2) Defina o modo de autofoco. Na Canon, pressione o botão AF e gire o disco principal até aparecer a opção One-Shot AF. Na Nikon, pressione o botão de modo de autofoco (localizado no centro da chave de autofoco), gire o disco de seleção traseiro até aparecer a opção AF-S. Em alguns modelos, esse ajuste é feito via menu.

Menu para a definição de modo de autofoco em câmeras DSLR Canon

Menu para a definição de modo de autofoco em câmeras DSLR Canon

3) Ative apenas o ponto AF central. Na Canon, pressione o botão de seleção de ponto AF, gire o disco de seleção até o ponto central ficar selecionado. Na Nikon, pressione o botão de modo de autofoco e gire o disco de seleção dianteiro até apenas o ponto AF central ficar ativo.

Menu para a definição de modo de autofoco em câmeras DSLR Nikon

Menu para a definição de modo de autofoco em câmeras DSLR Nikon

4) Focalize o assunto principal. Em qualquer câmera, posicione o assunto principal no centro do enquadramento, justamente sob o ponto AF central. Pressione o botão disparador até a metade e espere o sistema focalizar o objeto (um LED verde confirma o foco). Mantenha o disparador pressionado. Alguns modelos têm um botão para travar o foco (AF-ON ou AF-L) que funciona da mesma maneira que o segundo estágio do disparador.

5) Refaça o enquadramento. Com o foco travado no assunto, reposicione o assunto principal fora do centro da imagem, no enquadramento que deseja (lembre-se da regra dos terços). Aperte o disparador até o fim para registrar a foto.

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